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21 de Dezembro de 2020

TJ/RS - Aplicativo possibilita adoção de três irmãos em Pelotas

Fonte: Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul

Um evento para marcar a vida de uma família que deixou o amor surpreender. Ocorreu na tarde de segunda-feira (14/12) a audiência de adoção de três irmãos, iniciada pelo aplicativo Adoção.

As crianças estavam há cerca de um ano no cadastro do Sistema Nacional de Adoção (SNA), sem que tivessem sido localizados pretendentes para a sua adoção conjunta.

Conforme a Juíza de Direito Alessandra Couto de Oliveira, do Juizado Regional da Infância e Juventude da Comarca de Pelotas, em função da demora na localização de futuros pais, outras possibilidades já estavam sendo cogitadas. “Nós já estávamos cogitando partir para adoção internacional quando, em maio deste ano, fomos comunicados que um casal havia conhecido os irmãos pelo app Adoção, e manifestado interesse em conhecê-los”, afirma a magistrada.

Em razão da pandemia, a fase de aproximação iniciou de forma virtual, com troca de fotos, vídeos e videochamadas. Segundo o casal Adriana e Lucinei, eles já haviam manifestado interesse, através do aplicativo em outras crianças mas não obtiveram sucesso. Adriana lembra que afirmava para Luicinei “Deus sempre guarda o que é nosso”.

Foi quando em maio deste ano, ocorreu a grata surpresa.

“No dia 26/05/2020 terça-feira, dia de Nossa Senhora de Caravágio - uma santa protetora aqui da nossa região- apareceram os 3 irmãos. A princípio nosso interesse era de 1 criança até 5 anos, depois passamos para 2 para ver se agilizava pois estávamos a 2 anos na fila de espera da adoção. Quando vimos os 3 ficamos apaixonados, o vídeo, os dizeres, lembro do Marciel falando \'eu quero uma família\'. Eu disse pro meu marido, quem cria 2 cria 3”, lembra Adriana.

A mãe ressaltou que dias depois a servidora do Foro de Pelotas já entrou em contato com a família.

“ No sábado estávamos reunidos com meus pais e meu irmão. A assistente Social de Pelotas ligou e conversou por 1 hora conosco, no final da ligação eu já senti aquilo. Cheguei aos meus pais, irmão e sobrinhos e disse, mostrando a foto deles - aqui estão nossos filhos! Foi um choro só, todo mundo se emocionou. E devido à pandemia, tudo foi por vídeo chamada, nossos encontros, como nos conhecemos um pouco. No dia 10/07 fomos conhece-los pessoalmente e até hoje é muito amor e aprendizado mútuo”.

O casal Adriana e Lucinei obteve a guarda provisória das crianças em 15/7, e na última segunda-feira (14/12) saiu a sentença de adoção, em audiência realizada de forma virtual. As crianças se chamam Carolina (10 anos), Mônica (7 anos) e Marciel (5 anos). O casal já tinha outro filho, Enzo.

“Poder resolver estes assuntos de forma rápida com vídeo chamada e na comodidade de nossa casa é perfeito! Estávamos em nosso lar, nós 6, e quando a Juíza disse: - agora é para sempre! Vocês são uma família para sempre! Uma emoção muito grande tomou conta de todos, Mônica pulou no meu colo e disse\' agora sim é para sempre mãe!\'. Marciel até hoje fica dizendo agora nossa família para sempre! Nossa família linda para sempre!”.

A magistrada destacou sua satisfação em poder colaborar com o casal.

“Foi um caso que nos deixou muito felizes, pois durante um ano não conseguíamos encontrar pretendentes, e durante a pandemia, quando tudo parecia mais difícil, graças ao app Adoção, foi possível que essa família se encontrasse. ”, destacou a Juíza.

“Quando foram lidos os nomes deles com nosso sobrenome, até me arrepiei, tenho certeza que no dia em que pegarmos as novas certidões vamos chorar muito e nos emocionar, aqui tudo é comemorado, desde que nos tornamos uma grande família”, destaca Adriana.

A magistrada também relata a felicidades de todos os envolvidos no momento da audiência.

“A alegria deles já era perceptível na audiência de guarda provisória, e, hoje, na audiência de adoção, foi muito emocionante. É lindo ver uma família se formar. Nesse caso, devido às dificuldades, e durante a pandemia, foi ainda mais significativo”, ressalta a Juíza.

O casal agradeceu o apoio e o empenho dos servidores e da magistrada do Foro de Pelotas.

“Eu quero deixar registrado que todo trabalho do Foro de Pelotas em nosso processo foi maravilhoso, nos ajudaram muito, através de WhatsApp sanávamos dúvidas, tanto o Psicólogo Eduardo como a Assistente Carol, eles foram maravilhosos”, afirma a mãe.
O App é resultado de uma longa caminhada. Em 2016, o Poder Judiciário lançou a campanha “Deixa o amor te surpreender”, voltada para adoções de difícil colocação – crianças com mais de 7 anos, grupos de irmãos e jovens com deficiência. Até então, eram disponibilizados apenas dados básicos, como as iniciais do nome, idade, sexo, raça, se tinham irmãos ou alguma doença.

Sobre o Aplicativo Adoção

O app humanizou a busca pela adoção, uma vez que proporciona aos futuros pais que vejam vídeos e fotos das crianças e dos adolescentes. O protótipo foi inicialmente desenvolvido por alunos da PUCRS e, depois, pela Direção de Tecnologia da Informação e Comunicação (DITIC) do Tribunal de Justiça, que realizou ajuste e integração da ferramenta. O Ministério Público também participou da concepção do projeto e é responsável pela fiscalização dos cadastros.

A plataforma conta com o perfil ativo de rianças e jovens que estão habilitados na fila de adoção no RS e pretendentes de todo o país podem baixar o App.

Outra conquista do Aplicativo foi proporcionar um importante salto na flexibilização da idade desejada pelos pretendentes, cuja média passou de 8 para 14 anos. O desafio inicial da campanha institucional lançada pelo TJRS era justamente o de mudar esse perfil.

Os grupos de irmãos também ganharam uma chance, o projeto obteve um aumento no interesse nesse perfil.

No que se refere à situação de saúde, as manifestações de interesse seguem direcionadas para crianças e adolescentes saudáveis e sem doenças associadas.

O App Adoção está disponível para Android e iOS (nas lojas do Google Play e da Apple Store). O público em geral também pode baixar o App, mas só tem acesso a informações básicas sobre adoção, sem identificação dos jovens cadastrados no aplicativo.


Fonte: Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul

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